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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Momentos decisivos*

*Por Alex Reinecke de Alverga

Car@s,
 

Escrevo aqui para protestar, repudiar e tornar pública a minha indignação frente às denúncias de agressão, violência, humilhação e desrespeito aos direitos humanos que foram noticiadas recentemente no interior da clínica Santa Maria. Palavras estas que foram pronunciadas durante o Ato Público em frente a Clínica Santa Maria, quinta-feira passada e que acredito serem importantes de por em debate aqui.
 
Sabemos que este não é o primeiro ato criminoso a ser denunciado, nem será o último. Quantos crimes ainda precisam acontecer? Quantos crimes ainda serão silenciados?

Precisamos compartilhar o entendimento que a Reforma Psiquiátrica não avança enquanto tivermos em funcionamento instituições como esta que no lugar de oferecer tratamento e cuidados necessários para as pessoas em situação de sofrimento psíquico, cumprem o mandato social de silenciar e excluir centenas de pessoas do convívio social, de punir e agredir pessoas justamente no momento que mais necessitam de cuidados.

A Reforma Psiquiátrica vem avançando no Brasil, timidamente, mas vem. Desde a aprovação da Lei Federal 10.216 de 2001, o Estado brasileiro se responsabilizou pela efetivação da Reforma Psiquiátrica.
 
No entanto, é importante que se diga que a nossa legislação é insuficiente, que as forças conservadoras e reacionárias do nosso estado, que ainda encontram-se no executivo e no legislativo (seja pessoalmente ou pelo DNA tanto biológico, quanto ideológico-partidário), votaram todos contra a aprovação da Lei cujo projeto era do ano de 1989.
 
Ainda, é preciso dizer que o projeto original previa a gradativa extinção dos hospitais psiquiátricos e, esta proposta, que era a espinha dorsal do projeto, foi recusada dentro do consenso que foi possível entre as forças progressistas e conservadoras nos 12 anos de tramitação no Congresso Nacional.
 
Assim, a atual legislação preconiza uma reorientação do modelo assistencial e busca garantir a proteção dos direitos dos usuários dos serviços de saúde mental.

Esta Lei, que não é a ideal (mas é Lei!), está sendo sistematicamente descumprida. As denúncias de maus tratos são provas disto. O não funcionamento da comissão revisora das internações involuntárias, previstas também na Lei, igualmente.
 
É importante também compartilhar aqui o entendimento que a Reforma Psiquiátrica só avança com o desmonte dos hospitais psiquiátricos e com a devida realocação dos recursos humanos e financeiros para a construção de novos serviços inteiramente substitutivos ao manicômio, como os CAPS III.
 
Natal só agora possui este serviço estruturado para reforçar a rede de atenção psicossocial que está sendo desenhada, como inúmeras dificuldades há cerca de duas décadas. Mas, a existência de financiamento público para leitos da clínica Santa Maria e outros hospitais psiquiátricos, impedem e dificultam a construção de uma rede de serviços mais adequados e que ofereçam tratamentos e cuidados mais dignos.
 
A noção de que o descredenciamento gera falta de assistência, que o movimento da Luta Antimanicomial é contra internações que por ventura e, em um último caso possam ocorrer, como está previsto nos CAPS III e deveria ocorrer também em Hospitais Gerais, tais argumentos são falaciosos e oportunistas, pois a Reforma Psiquiátrica é uma luta também pelo aumento do financiamento e expansão dos serviços, mas serviços não manicomiais. Neste sentido, é que devemos encampar também o apoio à aprovação da Emenda Constitucional 29 para assegurar o financiamento mínimo das ações de saúde.
 
Portanto, acredito que a sociedade civil organizada, trabalhadores, estudantes, usuários e população em geral devem se posicionar frente este momento decisivo. A conjuntura da saúde e especificamente da saúde mental é complexa, mas em momentos como este, em que notícias da barbárie manicomial nos chegam até pela grande mídia, torna-se facilmente polarizável: afinal, de que lado estamos?
 
Exigindo o descredenciamento dos leitos do SUS da clínica Santa Maria e com isto estabelecendo que estes recursos sejam repassados para a abertura de serviços que realmente cuidem de seus usuários?

Ou apenas nos omitindo e assinando em baixo de uma história de alianças criminosas, interesses espúrios e atentados à dignidade humana?
 
Chega de uma história perversa marcada pela aliança entre as forças políticas conservadoras e a “indústria da loucura”. Não podemos permitir que crimes contra a humanidade continuem acontecendo com incentivo público.
 
Pelo descredenciamento dos leitos dos SUS da clínica Santa Maria já!!!
 
Saudações Antimanicomiais!


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Olha a contra-reforma aí, gente!

O comentário abaixo foi postado NESTE SITE pela coordenadora de saúde mental de Mossoró E diretora do hospital psiquiátrico São Camilo de Lellis. Ele demonstra o retrocesso que a reforma psiquiátrica poderá sofrer em breve em nosso estado, pelo modo como essas forças mais consevadoras estão se articulando.  Não podemos deixar que este tipo de posicionamento passe por cima de tantos anos de movimentos e avanços na assistência com a Lei 10.216/2001 - Paulo Delgado - (a qual nem acreditamos ser suficiente, pois não prevê a extinção do manicômio).


Reforma a Assistencia Psiquiatrica - Mossoro-RN

Cara Rosalba, inicialmente nossos Parabens por seus pertinentes e preciosos pronunciamentos em defesa da Saude Mental e pela instituição de uma Reforma à Assistencia Psiquiatrica sem o peso da ideologia das Lutas Antimanicomiais, onde fechar os Manicomios e Hospitais Psiquiatricos se tornou o objetivo central, e como se assim a luta teria alcançando seu objetivo final... Estamos todos orgulhosos de nossa Senadora e futura Governadora. Aproveito o espaço para participar nossos anseios em ver voce solicitar uma emenda a poderosa LEI PAULO DELGADO, corrigindo-a e adaptando-a aos novos tempos, adequando-a ao futuro. Sabemos da necessidade dedisciplinar os internamentos de pacientes com agravos severos de Saude Mental comprometida, mas impedir que se constituam novos hospitias psiquiatricos, reformar o hospitais existentes, concluimos ser tambem uma forma de preconceito, e um retrocesso no tratamento de nossos pacientes, que necessitam de tratamento especializado. Será que algum dia alguma politico em san consciencia poderia pensar em proibir a construção de Hospitais do Coração, Hospital do RIM, Hospitias de atendimanto Traumatologico - Proibir a reforma e avanço dos SHARAS, seria no minimo um absurdo... Então porque fazer isso com a Saude Mental??? Carissima Rosalba voce entrou agora vc vai ter que ir até o fim... Vamos corrigir essa Lei e liberar a sobrevida de Hospitais Psiquiatricos como o São Camilo de Lellis, que presta um inestimavel serviço a Mossoró e Região, é citado como referencia em trabalhos internacionais de psiquiatria no tratamento da Esquizofrenia, e está fadado a morrer por inanição asfixiado na marginalidade provocada pela LEI PAULO DELGADO, que creio ter sido feito na emoção da revolução. Todos os paises que embarcaram nesse preciosismo, moda nos anos 60/70 ja voltaram atrás, e se adapataram: Italia, França, EUA, etc. Precisamos que voce faça a correção deste percurso, corrigindo este retrocesso, nos libertando para trabalharmos tendo como meta todos os progressos que nos oferecem a ciencia moderna. Gostariamos muito que voce estando em Mossoró, venha participar de uma reunião coletiva no Hospital Municipal Sao Camilo de Lellis, em que teremos com pauta O HOSPITAL PSIQUIATRICO MODERNO e a Reforma à Assistencia Psiquitrica - Libertando-se dos sequitarismos, para uma Assitencia Integral à Saude Mental.
Como sua agenda é mais dificil de conciliar, aguardamos uma data para esta visita a nossa unidade, que hoje conta com 160 pacientes internos e cerca de 140 funcionarios entre Medicos, Psicologos, Enfermeiros, Terapautas Ocupacionais, Asistentes Socias, etc... Aguardamos sua resposta, qualquer data será BEM-VINDA . Sua colega... 
Dra Fatima Trajano - Hoje diretora do Hospital São Camilo e Coordenadora de Saude Mental de Mossoró.
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