O programa Melhor e Mais Justo da Rede TVT (SP) exibiu no último dia 16 um programa especial sobre a saúde mental.
"A luta pela Reforma Psiquiátrica, no Brasil, já conta uns vinte anos, com muitos avanços e outros tantos desafios. Em 2011, celebramos os dez anos de uma etapa fundamental dessa luta social: a formalização da Reforma Psiquiátrica pela Lei 10.216/01, que oficializou mudanças de concepção e de foco nas políticas públicas de saúde mental. Estão sendo superadas as hospitalizações psiquiátricas como tratamento, quase exclusivo, aos transtornos mentais, em prol de formas mais humanizadas e diversificadas de atendimento, com ênfase na (re)integração dos pacientes ao convívio familiar e social sempre que possível.
Além dos leitos para internação, várias ações, programas e equipamentos de saúde mental foram criados em muitos municípios: Centros de Assistência Psicossocial (CAPS); Casas de Acolhimento Temporário (CATs); Comunidades Terapêuticas; Consultórios de Rua; Programa De Volta Para Casa; Ações dos Programas de Saúde da Família; entre outros. As verbas para saúde mental também aumentaram, embora ainda não sejam suficientes para o tamanho e para as necessidades da demanda. Pelo que se vê, avanços significativos ocorreram, mas velhos e novos problemas persistem, por exemplo: insuficiência de recursos e, com frequência, de sinergia com outras instâncias de assistência à saúde e de gestão do SUS; problemas de formação e de suporte aos profissionais de saúde que atuam nesse campo."
Ele pode ser visto e baixado pelo youtube, dividido em três partes. Só clicar nos links a seguir:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
Saúde Entrevista – Paulo Amarante fala sobre saúde mental e reforma psiquiátrica
Mais uma entrevista com o Paulo Amarante sobre Reforma Psiquiátrica. Confiram! Fonte: Portal Minas Saúde
No momento estamos finalizando um livro sobre as iniciativas culturais no âmbito da reforma psiquiátrica. Analisando como estas iniciativas passaram a ter uma importância no sentido das pessoas com transtorno mental falarem de suas experiências e produzirem novos sentidos para elas, e de como estas iniciativas contribuem para mudar a cultura, o estigma, a discriminação para com elas. Não é a toa que nosso mundo cultural de uns anos prá cá está repleto de bandas como Harmonia Enlouquece, Sistema Nervoso Alterado, Trem Tan Tan, ou TV’s como TV Pinel, Rede Parabolinóica, blocos de carnaval como Ta Pirando Pirado Pirou, Loucura Suburbana, ConsPirados, LokoMotiva, e por aí em diante...
Data:20/05/2011
Autor:Wander Veroni
O escritor e médico psiquiatra Dr. Paulo Amarante, 58 anos, é mestre em Medicina Social (UERJ) e doutor em Ciências da Saúde (ENSP/Fiocruz) com estágio de doutorado em Trieste (Itália) e pós-doutorado em Imola (Itália). Ele é carioca, pesquisador titular e coordenador do laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz, no Rio de Janeiro.
Um dos livros mais famosos de Paulo Amarante é "Loucos pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica", lançado pela Editora Fiocruz. A obra é o resultado de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Publica/Fiocruz e que abre caminho para a construção de outras possibilidades para as pessoas com sofrimento psíquico. Paulo também é autor e organizador de vários livros que abordam estudos sobre saúde mental e reforma psiquiátrica aqui no Brasil, como por exemplo, o livro "Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica", que conta como foi este processo que levou várias instituições a trabalhar de forma mais humanizada os doentes mentais no Brasil.

Atualmente, ele lançou um novo livro, o “Saúde Mental e Atenção Psicossocial”, pela Editora Fiocruz ao preço de R$ 15. De acordo com o autor, a ideia desta coleção Temas em Saúde é publicar livros com temas de interesse geral, voltados para a população e não apenas os profissionais da área, com linguagem simples e preço acessível.
“O importante é que seja uma fonte de informação e esclarecimento sobre temas cruciais para a saúde da população. Desta forma, o livro aborda o porquê da necessidade de mudar o modelo assistencial psiquiátrico, acabando com os hospícios e substituindo-os por formas mais solidárias e eficientes de tratamento, ao mesmo tempo em que são formas que não segregam os sujeitos com transtorno mental, pelo contrário, trabalha no sentido de sua inclusão como cidadãos”, afirma o médico psiquiátrica. A convite da Equipe de Web Jornalismo do Portal Minas Saúde, Paulo fala com exclusividade sobre a luta anti-manicombial e os desafios do sistema de saúde de introduzir um atendimento convergente às propostas de humanização. Acompanhe a entrevista abaixo:
Portal Minas Saúde - Quando falamos em doença mental, muitas pessoas ainda fazem a ligação aos sanatórios. O processo de “des-hospitalização” ajudou a diminuir o preconceito?
A psiquiatria tradicional é que construiu esta imagem de que a pessoa com transtorno mental é louca, insana, insensata, perigosa, etc. Nós que compartilhamos de uma nova visão da psiquiatria precisamos mudar esta visão, demonstrando que não e assim, que é possível tratar as pessoas com outras bases, mais solidária e ética, sem excluí-la e sem ferir sua dignidade.
Portal Minas Saúde - A diminuição do número de leitos da saúde mental, no caso de pacientes mais graves ou que cumprem pena, ainda é uma questão muito discutida. O que pode ser feito?
É necessário investir em novos serviços, o que implica em investir também em novos profissionais, formar quadros com novas bases conceituais, científicas e éticas. Na prática estamos demonstrando que estas hipóteses são verdadeiras. Centenas de pessoas que viviam abandonadas, esquecidas, em manicômios, com observações de degeneração, sem possibilidades clínicas, e assim por diante, se tornaram cidadãos, artistas, militantes, moram em casas, passeiam, se divertem, vivem nas cidades, contrariando radicalmente as idéias que se tinha sobre elas.
Portal Minas Saúde - Estresse, ansiedade, depressão, bipolaridade, são algumas doenças mentais “comuns”, que o público leigo já possui algum tipo de familiaridade. No entanto, podemos perceber certa resistência ou até mesmo preconceito quanto ao tratamento. Na sua opinião, como mudar esse panorama? Hoje em dia, as pessoas podem ter mais acesso ao tratamento pelo SUS?
É prec
iso ter muito cuidado com esta posição mais ou menos naturalizada do crescimento destas “doenças mentais” na população. E é preciso inclusive desconfiar destas pesquisas. Uma importante pesquisadora dos EUA, Marcia Angell, em seu livro sobre a indústria farmacêutica (A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos, Ed. Record) nos alerta de maneira muito série e fundamentada sobre este golpe da medicalização do social, e já se fala em invenção da doença para vender mais remédios (mongering deseases). De qualquer forma, as pessoas com necessidade de tratamentos têm mais acesso ao SUS, mas deveriam ter mais. O mercado dos planos de saúde tem aumentado muito e tem tomado espaços que deveriam ser do SUS.
iso ter muito cuidado com esta posição mais ou menos naturalizada do crescimento destas “doenças mentais” na população. E é preciso inclusive desconfiar destas pesquisas. Uma importante pesquisadora dos EUA, Marcia Angell, em seu livro sobre a indústria farmacêutica (A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos, Ed. Record) nos alerta de maneira muito série e fundamentada sobre este golpe da medicalização do social, e já se fala em invenção da doença para vender mais remédios (mongering deseases). De qualquer forma, as pessoas com necessidade de tratamentos têm mais acesso ao SUS, mas deveriam ter mais. O mercado dos planos de saúde tem aumentado muito e tem tomado espaços que deveriam ser do SUS.Portal Minas Saúde - Você é autor e organizador de vários livros sobre saúde mental e reforma psiquiátrica. O que o motivou a escrever sobre isso?
É um tema muito importante. O que me motivou, principalmente, foi a necessidade de fundamentar, tanto no âmbito da ciência quanto no âmbito da filosofia, que a reforma psiquiátrica tinha princípios sólidos e que não se tratava “somente” de uma luta pela dignidade humana, o que não é muito pouco. O tema está em franco crescimento. Na Editora Fiocruz eu sou editor de uma coleção, que denominamos de Loucura & Civilização, que teve, nos últimos anos, três títulos na lista dos indicados ao Prêmio Jabuti. Na Revista Saúde em Debate, que agora completa 35 anos, da qual eu sou editor, este é um dos temas mais abordados pelos autores. A revista é de saúde como um todo!

Portal Minas Saúde - Para finalizar, nos conte qual livro publicado que mais gostou e qual teve (ou tem) uma repercussão positiva? Você se dedica muito a produção e a pesquisa sobre este tema? Conte-nos um pouco sobre a sua rotina de trabalho?
Eu gosto de muitos de meus livros, mas talvez o que tenha tido um maior impacto, por ter sido uma ferramenta de transformação na mão de muitos profissionais, de muitos atores militantes da reforma psiquiátrica, é o Loucos pela vida – a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. É um livro que eu lancei em 1994 e que teve várias reedições e reimpressões. Teve uma época que eu decidi não mais publicá-lo. Fiquei cinco anos com ele esgotado. Foi uma gritaria geral: recebi inúmeros emails e recados, além de pessoas que iam me ver em congressos, seminários, etc., que cobravam a reedição. Uns diziam, eu tenho a fotocópia, mas eu quero o livro.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
Os 10 anos da reforma psiquiátrica no Brasil
Entrevista com o Coordenador de Saúde Mental, Roberto Tykanori
via CartaCapital de Brasilianas.org em 28/04/11
Por Bruno de Pierro, para o Brasilianas.org
Apesar de discutida há mais de duas décadas no Brasil, a reforma psiquiátrica completa, neste mês, apenas 10 anos. Formalizada em 2001, a lei nº 10.216 estabeleceu as diretrizes da saúde mental no país, moldurando uma nova estratégia, fundada na humanização do tratamento e na formação de uma rede, cujo núcleo deixou de ser o hospital.
Defensor desse modelo, o governo federal criou, em 2003, o programa De Volta Para Casa, que hoje atende mais de 3,7 mil brasileiros em 614 municípios, sendo 19 habilitados pelo Ministério da Saúde. Baseado na lógica da descentralização, o programa concede um auxílio de R$ 320 aos pacientes que receberam alta da internação psiquiátrica. Segundo informações do ministério, em 2010, foram investidos R$ 13,8 milhões no De Volta. Para a atenção especializada, foram consolidados os Centros de Atenção Psicossocial (os CAPS), que atualmente são 1.620 – número quatro vezes maior que em 2002, quando se registravam 424 centros.
O modelo, entretanto, é ainda questionado por muitos profissionais da área de saúde, que não concordam com o processo de “des-hospitalização”, que estaria sendo provocado pela desistitucionalização – bandeira da reforma.
Em entrevista ao Brasilianas.org, o novo coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori explica porque o modelo atual é o melhor e qual os problemas que ainda devem ser enfrentados. “A questão de des-hospitalizar, dentro da reforma, é uma etapa para você atingir os objetivos mais importantes”, afirma.
Confira abaixo os principais momentos da entrevista.
Brasilianas.org – A desistitucionalização, promovida pela reforma psiquiátrica no país, diminuiu o número de leitos da saúde mental, tirando o hospital do centro do tratamento de pacientes. Mas esse processo não tem caminhado para uma “des-hospitalização”?
Roberto Tykanori – São duas coisas diferentes. Des-hospitalizar é realmente um processo que ocorre de retirar as pessoas dos hospitais. Essa idéia tem vários aspectos, sendo que o principal é mudar o eixo do atendimento e o eixo do investimento. Isso tem a ver com a mudança de modelo, porque significa sair do raciocínio centrado no hospital, e construir outro tipo de modelo. Existe uma dimensão, dentro da palavra “des-hospitalizar”, que é a seguinte: descentralizar o recurso que concentrado no sistema hospitalar. Ou seja, tem o aspecto de des-hospitalizar o dinheiro.
Do ponto de vista do desenvolvimento da política, é crucial você conseguir transferir recursos de um sistema, que já está aplicado e concentrado num sistema hospitalar, para outro sistema, que tem outro modo de raciocinar. A questão de des-hospitalizar, dentro da reforma, é uma etapa para você atingir os objetivos mais importantes. Estamos saindo de um modelo que era concentrado, tanto de recursos, como de pessoas. Havia uma distribuição de recursos para poucos lugares, e as pessoas que tem acesso a esses lugares ficam super-concentradas num mesmo ponto. O modelo novo descentraliza o recurso, para facilitar o acesso e torna os espaços de atendimento não concentracionários. Os pontos passam a ser de convívio.
Passa-se, também, a mudar o foco, para cada vez menos nas situações extremas, para cada vez mais olhar e apoiar os pacientes no seu cotidiano. Passa a haver a possibilidade de atendimento nas situações cotidianas. Em 2002, houve 460 mil atendimentos; em 2010, com essa descentralização e esse processo de transferência de recursos para uma rede nacional, aumentando o acesso e a oferta, fizemos 21 milhões de atendimento.
Mas apesar dessa descentralização, o que se verifica, em outros países, é que modelos desse tipo esbarram nos contingentes de doentes mais graves, que não conseguem viver sem supervisão institucional. Não há esse problema aqui?
Por que temos 21 milhões de atendimentos? Não significa 21 milhões de pessoas; significa o conjunto de atendimentos muito mais denso e intenso. Tem pessoas, que precisam passar pelo atendimento apenas uma vez por mês, mas outros precisam de atendimento cotidiano, de cuidados intensivos. Antes, como eu disse, havia uma concentração muito grande de recursos e de pessoas, mas pouquíssimos profissionais na rede. Hoje, temos uma quantidade enorme de pessoas ofertando atendimento. No aspecto concentracionário, você tinha parentes para tomar conta das pessoas e pouquíssimos funcionários. No modelo atual, cada vez mais fazemos um rede de pessoas.
Em entrevista a este blog, o ministro Alexandre Padilha falou da necessidade de se organizar as redes de atenção do SUS, promovendo a regionalização do sistema. Como tem sido trabalhado o atendimento básico em saúde mental nas redes interfederativas do SUS, uma vez que o foco de muitas delas tem sido a alta complexidade?
Este é um ponto importante. Estamos numa fase em que o sistema está crescendo, mas ainda depende de processos de investimentos. De fato, precisamos avançar na integração de conceitos e práticas junto à atenção primária. Porque, assim como a atenção primária vai ser um reposicionamento, este reposicionamento envolve estabelecer colaboração e sinergia com o sistema de saúde mental, para que a gente atinja, capilarmente, cada vez mais pessoas. Quando o atendimento à saúde mental e a atenção básica estão bem próximos das pessoas, você pode lidar com as situações de conflito da vida cotidiana e real das pessoas. Isso significa ter uma estratégia de atender preventivamente. É um aprimoramento do sistema.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Saúde Mental e Reforma Psiquiátrica: desafios e possibilidades em diferentes contextos políticos e sociais
O Grupo Modos de Subjetivação, Práticas de Cuidado e Gestão no Contexto da Saúde Mental e Coletiva e o Grupo de Estudos Marxismo e Educação convidam:
Mesa-redonda:
Saúde Mental e Reforma Psiquiátrica:
desafios e possibilidades em diferentes contextos políticos e sociais
Profa. Maria Lúcia Boarini* – Universidade Estadual de Maringá
Profa. Magda Dimenstein – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Profa. Liége Uchoa – Universidade Potiguar
Coordenação: Profa. Isabel Fernandes – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Data: 08/04
Horário: 09h
Local: Auditório da Biblioteca Central da UFRN
*Professora Associada do Departamento de Psicologia e dos Programas de Pós-Graduação em Historia da Educação e da Psicologia da Universidade Estadual de Maringá. Líder do Grupo de pesquisa e estudo sobre higienismo e eugenia no Brasil/GEPHE. Converge seus estudos principalmente, para a interface entre a Educação e a Saúde Mental. Investiga temas relacionados a higiene mental, a eugenia, a "medicalização" da educação escolar e a atenção à saude mental na rede publica de saúde. Autora/organizadora das obras "Desafios na atenção à saúde mental", "Higiene e Raça como projetos: higienismo e eugenismo no Brasil" e "A loucura no leito de Procusto".
Até lá!
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