quinta-feira, 30 de junho de 2011
Melhor e Mais Justo sobre Saúde Mental
"A luta pela Reforma Psiquiátrica, no Brasil, já conta uns vinte anos, com muitos avanços e outros tantos desafios. Em 2011, celebramos os dez anos de uma etapa fundamental dessa luta social: a formalização da Reforma Psiquiátrica pela Lei 10.216/01, que oficializou mudanças de concepção e de foco nas políticas públicas de saúde mental. Estão sendo superadas as hospitalizações psiquiátricas como tratamento, quase exclusivo, aos transtornos mentais, em prol de formas mais humanizadas e diversificadas de atendimento, com ênfase na (re)integração dos pacientes ao convívio familiar e social sempre que possível.
Além dos leitos para internação, várias ações, programas e equipamentos de saúde mental foram criados em muitos municípios: Centros de Assistência Psicossocial (CAPS); Casas de Acolhimento Temporário (CATs); Comunidades Terapêuticas; Consultórios de Rua; Programa De Volta Para Casa; Ações dos Programas de Saúde da Família; entre outros. As verbas para saúde mental também aumentaram, embora ainda não sejam suficientes para o tamanho e para as necessidades da demanda. Pelo que se vê, avanços significativos ocorreram, mas velhos e novos problemas persistem, por exemplo: insuficiência de recursos e, com frequência, de sinergia com outras instâncias de assistência à saúde e de gestão do SUS; problemas de formação e de suporte aos profissionais de saúde que atuam nesse campo."
Ele pode ser visto e baixado pelo youtube, dividido em três partes. Só clicar nos links a seguir:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
sábado, 28 de maio de 2011
TV Pinel
Agora você já pode ver a TV Pinel onde quiser, é só acessar:
Saúde Entrevista – Paulo Amarante fala sobre saúde mental e reforma psiquiátrica

iso ter muito cuidado com esta posição mais ou menos naturalizada do crescimento destas “doenças mentais” na população. E é preciso inclusive desconfiar destas pesquisas. Uma importante pesquisadora dos EUA, Marcia Angell, em seu livro sobre a indústria farmacêutica (A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos, Ed. Record) nos alerta de maneira muito série e fundamentada sobre este golpe da medicalização do social, e já se fala em invenção da doença para vender mais remédios (mongering deseases). De qualquer forma, as pessoas com necessidade de tratamentos têm mais acesso ao SUS, mas deveriam ter mais. O mercado dos planos de saúde tem aumentado muito e tem tomado espaços que deveriam ser do SUS.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
País cria grupos de apoio para transtornos mentais
Governo financiará reuniões de ajuda mútua no estilo de Alcoólicos Anônimos
Medida é parte do plano de humanização do setor, mas não prioriza atendimento médico, critica psiquiatra
Folha de São Paulo - FERNANDA BASSETTE
O Ministério da Saúde vai incentivar com recursos financeiros a criação de grupos de ajuda mútua para pacientes com transtornos mentais em todo o país.
Inspirados no Alcoólicos Anônimos e em serviços dos EUA e da Europa, os grupos de apoio reúnem pacientes para discutir problemas do dia a dia e criar maneiras simples de driblá-los.
O plano faz parte da Reforma Psiquiátrica, iniciada em 2001, que tem como objetivo eliminar gradualmente os hospitais psiquiátricos e tratar os pacientes em centros de atenção psicossocial.
A proposta será votada hoje durante a 4ª Conferência Nacional de Saúde Mental, que acontece em Brasília.
"O ministério considera esses grupos uma ferramenta importante para a reabilitação social dos pacientes. Se for aprovado, e eu espero que seja, isso será incorporado ao programa nacional de saúde mental", afirmou Pedro Gabriel Delgado, coordenador de Saúde Mental, Álcool e Drogas do ministério.
O número de grupos e o total da verba que será liberada ainda não estão definidos. Isso depende do interesse das cidades e das associações de familiares de pacientes com transtorno mental candidatas a receber a verba para a formação desses grupos. Hoje, há 140 associações cadastradas no ministério.
Um projeto piloto está em andamento no Rio de Janeiro, em Angra, e em Teresina (PI) há dois anos. O trabalho é coordenado pelo psicólogo e professor da UFRJ Eduardo Mourão Vasconcelos.
Segundo ele, o ministério liberou R$ 180 mil para serem investidos na capacitação dos voluntários -que são ex-pacientes na fase avançada de reabilitação.
A dinâmica, no entanto, é um pouco diferente da praticada nos Alcoólicos Anônimos: o grupo de apoio mútuo não segue a cartilha de 12 passos para se recuperar.
"O método de 12 passos tem pontos positivos, mas tem uma doutrina muito endurecida. Nossa proposta é ter uma dinâmica mais livre", diz Vasconcelos.
Valentin Gentil, chefe do Departamento de Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria da USP, critica a liberação de recursos para a formação desses grupos e diz que o governo deveria investir em mais ambulatórios e CAPS (centro de atenção psicossocial).
"Existe um conflito muito grande por trás disso tudo, parece uma ação antimédicos. Os grupos de apoio não são ruins, mas cada vez mais o ministério usa os recursos da saúde sem priorizar o atendimento médico. Não vejo mudança nenhuma que favoreça a população", afirma o psiquiatra.
